segunda-feira, 18 de julho de 2011

Desenvolvimento econômico X equilíbrio ambiental


A vida humana é uma conjuntura formada por duas bases: social e ambiental, esta última no sentido de natureza. O capitalismo impôs às nossas culturas que a segunda base é desnecessária às nossas vidas. Hoje se percebe que é impossível separar uma coisa da outra. Política ambiental não é mais discurso de ambientalistas, mas uma necessidade urgente para a continuação da vida na terra, sobretudo a vida humana.

Não há como se pensar em grandes estruturas industriais sem mensurar os impactos ambientais e sociais que elas causam. Economia de baixo carbono há muito deixou de ser alternativa: hoje ela é questão de sobrevivência. As emissões desenfreadas de gases poluentes responsáveis pelo efeito estufa, causador de grandes catástrofes, produziram sequelas que hoje sabemos serem irreversíveis, mas ao mesmo tempo nos impôs a obrigação de buscarmos formas de lidar com o problema e, principalmente, encontrarmos maneiras de não agravar a situação, começando por diminuir as poluições.

As economias mais pobres do mundo, como África, América Latina e parte da Ásia, hoje perecem grandes mazelas sociais exatamente pela falta, nos últimos dois séculos, pelo menos, dessa consciência. Os governos, tardiamente, estão percebendo que meio ambiente não é somente fauna e flora, e que políticas ambientais não são apenas programas de preservação de espécies. Saneamento básico, educação, segurança pública, trabalho e todas as outras diversas políticas sociais estão intimamente ligadas ao meio ambiente, dentro de uma conjuntura chamada sócioambientalismo.

Sustentabilidade, outra palavra nova que nos últimos anos vem pautando as administrações, públicas e privadas, é outro conceito forte dentro desse contexto. O consumo eficiente e responsável dos recursos hoje disponíveis é a garantia de uma vida saudável para as futuras gerações. É fato que fomos aculturados dentro de uma sociedade consumista, mas como humanos não podemos chegar ao ponto de nos acharmos no direito de esgotar tudo o que temos ao nosso alcance sem pensar nas pessoas que virão depois de nós, nossos próprios filhos, netos e demais ascendentes.

Economia de baixo carbono, sócioambientalismo, sustentabilidade, embora sejam conceitos novos, já são realidades dentro da nova economia mundial. O grande problema é que os governos que aí estão não têm sido capazes de gerenciar essa nova realidade, prova disso são as grandes crises que vêm se seguindo ano após ano, simplesmente pelo fato de que na cabeça deles ainda existe a ideia de que desenvolvimento é apenas o estoque de capitais. Não perceberam que desenvolvimento está mais ligado à qualidade de vida do que ao crescimento de seus produtos internos brutos.

A sociedade deve se alertar rápido e eleger governos liderados por pessoas que têm se mostrado capazes de mudar a realidade em que vivemos, proporcionando aos seus povos riquezas com qualidade de vida e responsabilidade com o planeta. Não há mais espaços para estabelecer metas de crescimento sem focar uma correta distribuição de renda. Não dá para continuar ostentando posições de destaque em rankings econômicos quando ainda se tem serviços públicos de péssima qualidade. Não podemos jamais nos consideramos desenvolvidos enquanto não encontramos o ponto de interseção entre desenvolvimento econômico e equilíbrio ambiental.

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