sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ceará se destaca em pesquisas do etanol 2ª geração

O etanol de 2ª geração deve ganhar nos próximos anos mais um contribuinte natural. A descoberta está ligada aos caprinos, que há cerca de dois anos tornaram-se alvos de pesquisas de profissionais de Brasília e do Ceará. O Brasil não está só, e países como França (opera com cupim) e Austrália (opera com Wallaby, um canguru menor) também integram esse cenário de alternativas à produção de biocombustíveis.

"O caprino ingere as folhas ou os restos de vegetação para se alimentar. No rúmen, os microorganismos degradam o alimento - processo conhecido como quebra das fibras - em unidades de glicose que é fermentada e convertida em etanol", diz Betania Quirino, pesquisadora da Embrapa Agroenergia do Distrito Federal.

Complexa, a pesquisa é desenvolvida no Ceará com caprinos da raça moxotó. Marco Bonfim, pesquisador-chefe da Embrapa Caprinos e Ovinos do Ceará, disse que o processo é feito através de uma cirurgia. "Nós fazemos uma pequena operação, chamada fistularuminal, a qual dá acesso direto ao estômago do animal. Retiramos as enzimas, degradadas. A partir daí, torna-se possível extrair o álcool para a produção de biocombustíveis", diz Bonfim.

O procedimento é feito somente uma vez, porém, é introduzido no animal uma cânula (espécie de tampão), permanente para retirada da matéria. De acordo com o pesquisador, o bagaço da cana-de-açúcar é misturado na matéria-prima coletada. Bonfim afirmou ainda que o trabalho não é prejudicial à saúde dos caprinos.

No entanto, não é qualquer raça de caprinos que faz parte do programa de pesquisa. Bonfim explicou que a raça moxotó foi escolhida porque é nativa e se alimenta da vegetação do semi-árido nordestino. Segundo o pesquisador, esses animais são mais resistentes e têm melhor alimentação, fato que influencia no rompimento da fibra.

Os bodes e cabras são conservados na própria sede da entidade, e a matéria-prima é enviada a um laboratório da Universidade Católica de Brasília (UCB), parceira dos órgãos governamentais. A Universidade de Brasília (UnB) também disponibiliza um centro para as pesquisas.

Depois da quebra das fibras, inicia-se um outro trabalho específico. Com qualquer planta que possua celulose (açúcar), conforme atesta Betania, é possível obter etanol. "Mas, para isso, tem que degradar porque é uma molécula de açúcar complexa", disse. A pesquisadora ainda completa: "Procuramos enzimas que sejam capazes de degradar as paredes das plantas liberando, então, o açúcar simples que a levedura consegue tornar em etanol".

leia na íntegra em www.dci.com.br

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